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Faturas de condomínio: como uma administradora separa dezenas de prédios sem misturar contas

Por · · 8 min de leitura · Finanças

Numa empresa de administração de condomínios, as faturas de água, luz, elevadores, limpeza, seguros e obras de dezenas de prédios chegam à mesma caixa de email e cada uma tem de ir para o condomínio certo. Como se separa cada fatura pelo prédio, se controla o fundo comum de reserva e se chega à assembleia de janeiro com as contas feitas.

Uma empresa que administra cinquenta condomínios tem cinquenta contabilidades pequenas a correr ao mesmo tempo. As faturas da água, da luz das escadas, do elevador, da limpeza, do seguro e das obras chegam todas à mesma caixa de email, e cada uma tem de ir parar ao prédio certo. Este artigo é sobre como isso deixa de ser feito à mão.

Cinquenta prédios, uma caixa de email

Numa administradora de condomínios, o volume de faturas cresce com cada prédio novo, mas cada fatura continua a ser pequena. O trabalho não está no valor; está na quantidade e na separação:

  • Os fornecedores de serviços comuns, como eletricidade, água e elevadores, enviam uma fatura por instalação e por mês.
  • As empresas de limpeza e manutenção servem vários prédios e às vezes juntam tudo numa fatura.
  • As obras trazem orçamentos, adjudicações, autos e faturas parciais que têm de bater com o que a assembleia aprovou.
  • Os seguros têm apólices por prédio, com prémios anuais ou fracionados.

Uma fatura lançada no prédio errado não é só um erro contabilístico: é um condómino a pagar a luz de outro edifício, e uma reclamação na assembleia seguinte.

O mesmo problema dos grupos hoteleiros

Se o problema parece familiar, é porque é o mesmo de um grupo com vários hotéis: faturas de várias unidades que chegam misturadas e têm de ser separadas pela unidade certa antes de qualquer outra coisa. Escrevemos sobre isso em faturas num grupo hoteleiro e construímos o sistema para grupos hoteleiros. Numa administradora, a unidade é o prédio, e há muito mais unidades.

Como cada fatura encontra o seu prédio

Quase todas as faturas de um condomínio trazem um identificador único da instalação ou do contrato. É isso que permite a separação automática:

DespesaIdentificador na faturaFrequência
Eletricidade das partes comunsCPE (código do ponto de entrega)Mensal
Água das partes comunsNúmero de contador ou de clienteMensal ou bimestral
Manutenção de elevadoresContrato e morada do equipamentoMensal ou trimestral
LimpezaMorada do serviçoMensal
Seguro do edifícioNúmero de apóliceAnual ou fracionado
Obras e reparaçõesOrçamento adjudicado e moradaPontual

O sistema lê a fatura, encontra o identificador, consulta a tabela que liga cada CPE, contador, apólice ou contrato ao condomínio e lança a despesa no prédio certo. Quando o identificador falta ou é novo, a fatura fica numa fila de revisão com a razão da dúvida. A lógica é a do processamento automático de faturas de fornecedores, com o prédio como primeira classificação.

Conferir antes de pagar

Separar não chega. Antes de pagar com o dinheiro dos condóminos, cada fatura deve passar por três verificações simples:

  1. Valor contra o histórico. Uma fatura de luz das escadas que duplica de um mês para o outro pode ser uma avaria, um erro de leitura ou uma fatura de outro prédio.
  2. Obras contra a adjudicação. A soma das faturas de uma obra não pode passar o valor aprovado em assembleia sem que alguém o veja.
  3. Duplicados. O fornecedor que reenvia a fatura por email não a recebe paga duas vezes.

Fundo comum de reserva e quotas

O Decreto-Lei 268/94 obriga cada condomínio a ter um fundo comum de reserva para despesas de conservação, com uma contribuição de cada condómino de pelo menos 10% da sua quota-parte nas restantes despesas, depositado em banco e administrado pela assembleia. Numa administradora com dezenas de prédios, isso significa dezenas de fundos separados, cada um com as suas entradas e saídas.

Com as faturas classificadas por prédio e os extratos bancários conferidos automaticamente, como em reconciliação bancária automática, fica visível em cada condomínio quanto entrou para o fundo, quanto saiu e para quê. Uma despesa paga pelo fundo sem deliberação aparece marcada antes de ser um problema.

Prestação de contas na assembleia de janeiro

O Código Civil prevê que a assembleia de condóminos reúna na primeira quinzena de janeiro para aprovar as contas do ano anterior e o orçamento do seguinte, podendo passar para o primeiro trimestre se o regulamento ou a própria assembleia o permitirem. Para uma administradora, isso concentra num mês a preparação das contas de todos os prédios.

Quando cada fatura foi separada e conferida no dia em que chegou, o mapa de receitas e despesas de cada condomínio já existe. Janeiro passa a ser rever e explicar, não reconstruir o ano. E os PDFs de cada despesa ficam arquivados por prédio, prontos para qualquer condómino que os peça, como em arquivo digital de faturas.

Erros comuns numa administradora

  • Uma conta bancária para vários prédios. Torna a separação impossível de provar e mistura fundos que a lei quer separados.
  • Separar faturas no fim do trimestre. Quanto mais tarde se separa, mais difícil é lembrar a que prédio pertencia a reparação avulsa.
  • Não conferir as obras com o aprovado. Uma obra que derrapa sem ninguém reparar chega à assembleia como surpresa, e a surpresa é sempre da administradora.
  • Tratar a fatura da luz como fixa. Um aumento súbito nas partes comuns é muitas vezes uma avaria ou uma ligação indevida, e só se vê se alguém comparar com o histórico.
  • Guardar os documentos por fornecedor. Quando um condómino pede as faturas do seu prédio, alguém passa uma tarde a procurá-las.

Por onde começar

Começa pelas despesas recorrentes com identificador: eletricidade, água e elevadores. São a maioria das faturas e as mais fáceis de separar com certeza. O diagnóstico de 7 dias é gratuito e conta quantas faturas por mês e quantos prédios estão em jogo; as bandas estão em preços. Quando faz parte da operação financeira completa, é a camada Flowzi Finance.

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Perguntas frequentes

Como é que o sistema sabe a que condomínio pertence uma fatura?

Pela morada de fornecimento, pelo CPE da eletricidade, pelo número de contador da água, pelo número de apólice do seguro ou pelo contrato de manutenção do elevador. São identificadores que o fornecedor imprime em cada fatura. Quando nenhum chega, o sistema usa o histórico do fornecedor e, na dúvida, pergunta.

E as faturas de um fornecedor que serve vários prédios?

Uma empresa de limpeza ou de manutenção de elevadores costuma enviar uma fatura por prédio, mas às vezes envia uma só com várias moradas. O sistema separa as linhas pela morada e lança cada parte no condomínio certo.

Ajuda a controlar o fundo comum de reserva?

Sim. Por lei, cada condómino contribui com pelo menos 10% da sua quota-parte nas restantes despesas, e o fundo tem de estar depositado em banco. O sistema separa o que entra para o fundo e o que dele sai, para cada prédio, e marca qualquer despesa paga pelo fundo que precise de deliberação da assembleia.

Quando tenho de apresentar as contas?

O Código Civil prevê que a assembleia de condóminos reúna na primeira quinzena de janeiro para aprovar as contas do ano e o orçamento, podendo ser no primeiro trimestre se o regulamento ou a assembleia o permitirem. Com as faturas classificadas ao longo do ano, o mapa de receitas e despesas de cada prédio está pronto quando a convocatória sai.

Tenho de trocar o programa de gestão de condomínios?

Não. O programa onde geres quotas e condóminos fica. A camada trata as faturas: lê, separa por prédio, confere e entrega-as já classificadas ao programa e à contabilidade.