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Faturas num grupo hoteleiro: separar por hotel e rubrica sem perder a semana

Por · · 8 min de leitura · Finanças

Num grupo com vários hotéis, as faturas de fornecedores chegam todas à mesma caixa e alguém passa dias a separá-las. Como pôr cada fatura no hotel e na rubrica USALI certos, com aprovação do diretor, duplicados travados e o pacote do mês pronto para a contabilidade.

Num grupo com vários hotéis, as faturas de fornecedores chegam todas ao mesmo sítio: a lavandaria que serve três unidades, o peixe de um restaurante, a manutenção do elevador de outro, a eletricidade de todos. Alguém do financeiro passa dias a separá-las por hotel e por rubrica, e o diretor de cada unidade só descobre quanto gastou quando o mês já fechou. Este artigo descreve como se resolve isso sem trocar de ERP nem de PMS.

Porque é que a contabilidade hoteleira de um grupo emperra nas faturas

Num hotel isolado, uma fatura de fornecedor tem um destino óbvio. Num grupo, cada fatura levanta três perguntas antes de poder ser lançada: de que hotel é, de que departamento e de que rubrica. O ERP não responde a nenhuma delas sozinho. A resposta está no conhecimento de quem trata as faturas, e esse conhecimento não escala.

Os sintomas repetem-se de grupo para grupo:

  • Faturas misturadas. O mesmo fornecedor serve vários hotéis e envia tudo para o mesmo email. A fatura nem sempre diz para que unidade foi a entrega.
  • Gastos por hotel só no fecho. Enquanto as faturas não estão separadas, ninguém sabe se o hotel do Porto está acima do orçamento em F&B ou em manutenção.
  • Aprovação por email. O diretor de cada hotel aprova o que é seu, mas a aprovação vive em reencaminhamentos e mensagens.
  • Duplicados à sexta. O fornecedor reenvia a fatura porque não recebeu, e ela entra outra vez no lote de pagamentos.
  • A contabilidade a pedir faturas. No início de cada mês, o gabinete pede o que falta, hotel a hotel.

Hotel, departamento e rubrica: as três decisões por fatura

Ler a fatura é a parte fácil: fornecedor, número, datas, valores e IVA saem do PDF ou da fotografia, como descrito no processamento automático de faturas de fornecedores. O trabalho específico de um grupo hoteleiro está nas três decisões seguintes.

De que hotel é

A morada de entrega, o NIF da sociedade, a referência da encomenda e o histórico do fornecedor respondem à maioria dos casos. Uma lavandaria que só serve o hotel de Lisboa não precisa de pergunta. Uma que serve três precisa de olhar para a guia ou para a referência. Quando nada disso decide, a fatura fica em revisão com a dúvida escrita, em vez de ir para o hotel errado.

De que departamento e rubrica

O USALI, o sistema uniforme de contas da hotelaria, organiza os gastos por departamento: Rooms, F&B, manutenção (POM), utilities, administrativos. É a linguagem do reporte de um grupo e a que permite comparar hotéis entre si. Cada fatura sai com departamento e rubrica propostos, ajustados ao plano de contas que o grupo já usa. Uma fatura com linhas de departamentos diferentes, como um fornecedor que entrega amenities e produtos de limpeza na mesma fatura, é repartida por linha.

Quem aprova

O diretor de cada hotel vê as faturas do seu hotel e aprova-as. Acima de um valor definido pelo grupo, há uma segunda validação. O financeiro central deixa de ser o ponto por onde passa tudo e passa a ver só o que precisa de decisão.

O circuito, do email ao lote de sexta

  1. Uma caixa só para faturas. Os fornecedores enviam para um endereço do grupo. PDF, fotografia ou digitalização, tudo entra no mesmo sítio.
  2. Leitura. Fornecedor, datas, valores e IVA lidos do documento, com a aritmética conferida.
  3. Hotel e rubrica. Cada fatura vai para o seu hotel, departamento e rubrica. Na dúvida, o sistema pergunta.
  4. Duplicados. Cada fatura é comparada com as já recebidas e pagas. A repetida fica de fora com a razão escrita.
  5. Aprovação do diretor. Cada hotel aprova o que é seu, com segunda validação acima do limite.
  6. Lote de pagamentos. O lote da semana monta-se por vencimento, com pagamentos parciais, e só leva faturas aprovadas.
  7. Pacote do mês. No fim do mês, cada hotel tem as suas faturas arquivadas e um mapa pronto a enviar à contabilidade.
TarefaComo costuma serCom o sistema
Receber faturasEmails pessoais, papel digitalizado uma vez por semana, WhatsAppUma caixa do grupo, com a origem registada
Separar por hotelÀ mão, por quem conhece os fornecedoresProposto em cada fatura; as dúvidas vão para revisão
RubricaDecidida no lançamento, às vezes no fechoDepartamento e rubrica USALI na entrada
AprovaçãoReencaminhamentos e mensagensCada diretor no seu hotel, com histórico
DuplicadosConferência à sexta, quando há tempoTravados antes de chegarem ao lote
ContabilidadePedidos de faturas em falta no início do mêsPacote do mês por hotel, pronto a enviar

O que fica igual

O PMS continua a tratar reservas e receita. O ERP, seja Primavera, PHC ou outro, continua a ser a contabilidade. Economato e F&B continuam como estão. O sistema trabalha antes do ERP: recebe, lê, separa e aprova. Por isso não há migração, e a equipa usa-o desde a primeira semana em produção.

Também não é software de prateleira. As rubricas, os limites de aprovação, a divisão entre sociedades e hotéis e o formato do pacote para a contabilidade são os do teu grupo. É essa adaptação que faz a diferença entre uma ferramenta que a equipa usa e uma que fica a meio.

Já a funcionar em hotéis portugueses

Na Greatcreation Collection Hotels, com vários hotéis em Lisboa e no Porto, o circuito está em produção desde setembro de 2026: uma caixa só para faturas, hotel, departamento e rubrica em cada documento, duplicados travados antes de pagar, aprovação por diretor e lote semanal por vencimento. O mesmo princípio de ler cada documento pelo que significa em dinheiro está medido noutros setores: numa promotora imobiliária com 7 empresas e 70 obras, 93% das faturas sabem a que projeto pertencem, que é o equivalente direto a saber a que hotel pertencem.

Erros comuns

  • Separar por hotel só no fecho. O gasto de cada hotel fica invisível durante o mês, quando ainda se podia corrigir.
  • Uma rubrica genérica para tudo. Sem departamento e rubrica, os hotéis não se comparam entre si.
  • Pagar sem aprovação do hotel. O diretor perde o controlo do seu orçamento e o financeiro fica com a responsabilidade.
  • Confiar na memória para os duplicados. Funciona até ao primeiro fornecedor que reenvia a mesma fatura com outro nome de ficheiro.

Por onde começar

O teste mais rápido é enviar 5 faturas, por exemplo as de fornecedores que servem vários hotéis, as fotografias tortas, as que costumam ir para o hotel errado. Em 48 horas mostramos como ficam lidas e separadas. Vê como funciona em gestão de faturas para grupos hoteleiros. Quando o problema vai além das faturas, com tesouraria e reconciliação, é a camada descrita em Flowzi Finance; as bandas de preço estão em preços.

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Perguntas frequentes

Preciso de trocar o PMS ou o ERP?

Não. O PMS continua a tratar reservas e receita, o ERP continua a ser a contabilidade. O sistema trata as faturas de fornecedores antes de chegarem ao ERP e exporta para lá ou para a contabilidade.

Como sabe o sistema a que hotel pertence uma fatura?

Pela morada de entrega, pelo NIF da sociedade, pela referência da encomenda e pelo histórico desse fornecedor com cada hotel. Quando um fornecedor serve vários hotéis e a fatura não diz qual, fica em revisão e alguém decide num clique.

Temos vários hotéis na mesma empresa e outros em empresas diferentes. Funciona?

Sim. A sociedade e o hotel são dimensões separadas. Uma fatura pode ser de uma empresa com três hotéis e ficar no hotel certo, ou de uma sociedade com um só hotel.

Usamos USALI. E se o nosso plano de contas for diferente?

Os departamentos e rubricas USALI servem de base e ajustam-se ao teu plano de contas. O que conta é que cada fatura saia com o departamento e a rubrica que o teu reporte usa.

Como começamos?

Envias 5 faturas e mostramos como ficam lidas e separadas por hotel. Depois disso falamos do teu grupo em concreto.