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Processamento automático de faturas de fornecedores: do email ao lançamento no ERP

Por · · 9 min de leitura · Finanças

OCR não é automação. Ler a fatura é a parte fácil; o trabalho está em classificar, validar contra a encomenda, decidir e lançar no PHC, Primavera ou Sage. O circuito completo em 6 passos, o que acontece quando o sistema tem dúvidas, e dois casos reais.

A maior parte das empresas que dizem "já temos OCR" continua a ter uma pessoa a abrir emails, a guardar PDFs numa pasta, a conferir valores e a lançar à mão no ERP. Ler a fatura é 10% do trabalho. Este artigo descreve os outros 90%: o circuito completo do processamento automático de faturas de fornecedores, do email ao lançamento.

Onde o tempo se perde

Uma fatura de fornecedor chega por cinco portas: email, WhatsApp, portal do fornecedor, e-Fatura e papel. Cada porta tem um formato diferente e alguém a fazer de ponte. O tempo não se perde a ler a fatura; perde-se a:

  • Ir buscá-la onde caiu e guardá-la onde deve estar.
  • Perceber a que empresa do grupo, a que centro de custo e a que projeto pertence.
  • Confirmar que corresponde a uma encomenda e a uma receção.
  • Lançar no ERP com a conta certa, o IVA certo e a data certa.
  • Responder ao fornecedor que pergunta "já receberam?".

OCR não chega: leitura, classificação, validação

OCR transforma uma imagem em texto. Um bom OCR com IA transforma-a em campos: fornecedor, NIF, número, data, linhas, IVA, total. É útil, mas não decide nada. As três decisões que consomem o tempo vêm a seguir:

  1. Classificação. Que empresa, que conta, que centro de custo, que projeto ou obra. O histórico desse fornecedor responde a 80% dos casos; as regras da empresa respondem ao resto.
  2. Validação. A fatura bate certo com a encomenda e com a receção (o chamado three-way matching)? O preço unitário é o do contrato? O NIF é válido? Já existe uma fatura igual?
  3. Decisão. Lançar, pedir aprovação ou devolver ao fornecedor. Cada empresa tem limites e alçadas diferentes.

O circuito completo em 6 passos

  1. Recolha. Uma caixa de email dedicada, o WhatsApp da empresa, os portais e o e-Fatura ligados. Tudo cai no mesmo sítio, com a origem registada.
  2. Leitura. OCR com IA extrai os campos e as linhas. Cada campo sai com um grau de confiança.
  3. Classificação. Empresa, conta, centro de custo, projeto. Proposta automática com base no histórico e nas regras.
  4. Validação. Encomenda, receção, preço de contrato, NIF, duplicados. Divergências ficam marcadas com o motivo.
  5. Lançamento. O documento é criado no ERP (PHC, Primavera, Sage ou SAP) pronto a contabilizar. O que precisa de aprovação espera pela alçada certa.
  6. Arquivo e resposta. O PDF fica arquivado com o lançamento e o fornecedor recebe a confirmação. Ninguém procura nada em pastas.

Parar num destes passos é deixar os seguintes manuais. É por isso que "temos OCR" raramente muda o número de pessoas no departamento.

Confiança e exceções

A regra que torna isto seguro é a mesma da reconciliação bancária automática: confiança alta lança, confiança baixa pergunta. Uma fatura com um total ilegível, um fornecedor novo ou um preço fora do contrato não é lançada às escuras. Vai para uma fila de exceções com a razão da dúvida e uma pessoa resolve em segundos. Cada correção ensina o sistema para a próxima.

Dois casos reais

Numa promotora imobiliária com 7 empresas e 70 obras, 98% da faturação passou a arquivar-se sozinha, o cashflow passou a construir-se em tempo real a partir dos documentos e o grupo aguenta mais 60% de obras com a mesma equipa financeira.

Num gabinete de contabilidade com mais de 50 sociedades, 62% dos documentos passaram a ser tratados sem intervenção humana. A equipa deixou de processar documentos e passou a tratar exceções.

Erros comuns

  • Comprar OCR e parar aí. A leitura fica automática, o resto continua manual.
  • Lançar tudo automaticamente sem limiar de confiança. Poupa tempo até ao primeiro lançamento errado que só aparece no fecho.
  • Ignorar a encomenda e a receção. Sem validação, a fatura errada do fornecedor entra e é paga.
  • Deixar o arquivo em pastas. Seis meses depois ninguém sabe onde está o PDF que o auditor pede.

Quanto custa

Um circuito de faturas de fornecedores é um dos projetos financeiros mais rápidos de pôr em produção: 3 a 4 semanas, ligado ao ERP que já tens. Quando faz parte do departamento completo, com contas a pagar e a receber e tesouraria, é a camada descrita em Flowzi Finance. As bandas estão em preços; o diagnóstico de 7 dias é gratuito e diz quantos documentos e quantas horas por mês estão em causa.

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Perguntas frequentes

Que formatos de fatura consegue ler?

PDF nativo, PDF digitalizado, fotografia de telemóvel, imagem colada num email e ficheiros de portais de fornecedores. O que muda é a confiança da leitura: um PDF nativo lê-se a 100%, uma fotografia torta pode ir para revisão.

Funciona com o meu ERP?

Sim com PHC, Primavera, Sage e SAP, por API ou por ficheiro de importação. Com ERPs menos comuns fazemos a ligação à medida. O ERP continua a ser o sistema de registo.

E as faturas que chegam pelo e-Fatura ou em formato eletrónico?

Entram no mesmo circuito, com a vantagem de já virem estruturadas. O sistema cruza-as com o que chegou por email para não lançar a mesma fatura duas vezes.

O que acontece a uma fatura duplicada ou com NIF errado?

É bloqueada antes de chegar ao ERP. Duplicados são detetados por número, fornecedor e valor; NIF é validado pelo algoritmo oficial e contra a ficha do fornecedor.

Quanto tempo demora a implementar?

Um circuito de faturas de fornecedores ligado a um ERP fica em produção em 3 a 4 semanas. O diagnóstico de 7 dias é gratuito e conta quantos documentos por mês e quantas horas estão em jogo.