Faturas de uma transportadora: combustível, portagens e oficina por viatura
Por Diogo Coutinho · · 9 min de leitura · Finanças
Numa transportadora, as faturas de cartões de combustível, portagens, oficina, pneus e subcontratados chegam aos milhares e quase nunca dizem a que serviço pertencem. Como se confere cada extrato, se separa o custo por viatura e por serviço e se garante a dedução certa do IVA do gasóleo e o reembolso do gasóleo profissional.
Uma transportadora sabe quanto fatura por serviço. Quase nunca sabe quanto esse serviço custou, porque o custo está espalhado por extratos de cartões de combustível, extratos de portagens, faturas de oficina, pneus, seguros e subcontratados. Este artigo descreve como esses documentos passam a dizer sozinhos a que viatura e a que serviço pertencem.
Onde está o custo de uma transportadora
Numa empresa de transportes de mercadorias, os maiores custos variáveis chegam em formato de extrato, não de fatura simples:
| Documento | O que traz | O que costuma faltar |
|---|---|---|
| Extrato do cartão de combustível | Data, posto, litros, matrícula ou cartão | O serviço a que o abastecimento pertence |
| Extrato de portagens | Data, matrícula, percurso, valor | A ligação ao cliente e à viagem |
| Fatura de oficina e pneus | Peças, mão de obra, matrícula | O histórico de manutenção da viatura |
| Fatura de subcontratado | Viagens e valor total | A conferência com as viagens atribuídas |
| Seguros e IUC | Valor anual por viatura | A repartição pelo mês e pelos serviços |
O denominador comum é a matrícula. Quase todos os documentos a trazem; o que falta é alguém, ou alguma coisa, que a use para ligar o custo à viatura e ao serviço.
Combustível: do extrato do cartão ao custo por viatura
O cartão frota resolve o pagamento, mas cria um extrato mensal com centenas ou milhares de linhas. O trabalho manual está em três passos que o sistema faz sozinho:
- Ler o extrato linha a linha, com matrícula, litros, preço e posto.
- Atribuir cada abastecimento à viatura e, cruzando com as ordens de serviço ou guias de transporte, à viagem.
- Conferir a coerência: litros acima da capacidade do depósito, consumo por 100 km fora do padrão da viatura, abastecimentos em dias em que a viatura não saiu. Cada anomalia fica marcada com o motivo.
Portagens: ligar cada passagem ao serviço
O extrato de portagens traz matrícula, data e percurso. Cruzado com as viagens registadas, cada portagem passa a ter um cliente e um serviço. É o que permite responder à pergunta que interessa ao comercial: este serviço, depois de combustível e portagens, deu margem? E é também o que permite refaturar ao cliente as portagens que o contrato prevê.
Oficina, pneus e subcontratados
Oficina e pneus
Cada fatura de oficina é associada à matrícula e entra no histórico da viatura. Ao fim de uns meses, fica visível o custo de manutenção por quilómetro de cada camião, que é o número que decide quando renovar a frota.
Subcontratados
A fatura do subcontratado é conferida contra as viagens que lhe foram atribuídas e o preço acordado. Viagens a mais ou preço diferente ficam retidos antes do pagamento, com o motivo escrito. A lógica é a mesma das contas a pagar automáticas.
IVA do gasóleo e gasóleo profissional
Há duas regras fiscais que tornam a classificação por viatura obrigatória, não apenas útil:
- Dedução do IVA do gasóleo. Pelo artigo 21.º do Código do IVA, o IVA do gasóleo é dedutível a 100% em viaturas de mercadorias com peso superior a 3 500 kg e noutros casos previstos na lei, e a 50% na generalidade das restantes viaturas. Numa frota com pesados e ligeiros, a percentagem certa depende de em que viatura foi feito cada abastecimento.
- Gasóleo profissional. É um reembolso parcial do ISP, não do IVA, para empresas de transporte de mercadorias por conta de outrem, em veículos com peso total igual ou superior a 35 toneladas, com abastecimentos feitos com cartão frota e dentro de limites anuais por veículo (Portaria 246-A/2016). Os limites já mudaram várias vezes; confirma as regras em vigor no Portal das Finanças.
Com cada abastecimento ligado à viatura certa, o contabilista recebe a separação feita e o controlo dos litros elegíveis por veículo deixa de ser uma folha de cálculo à parte.
Custo por viatura e por serviço
Quando todos os documentos chegam classificados pela matrícula e pelo serviço, a transportadora passa a ter, durante o mês e não no fecho:
- Custo por viatura, com combustível, portagens, manutenção, pneus, seguro e IUC repartidos.
- Custo por quilómetro de cada viatura, comparável entre camiões do mesmo tipo.
- Margem por serviço e por cliente, depois dos custos diretos.
São as mesmas peças que alimentam o mapa de tesouraria automático, com os pagamentos dos cartões e dos subcontratados já previstos.
Erros comuns numa transportadora
- Lançar o extrato do cartão como uma única despesa. Fica a contabilidade certa e a gestão às cegas: ninguém sabe que camião gastou o quê.
- Aplicar a mesma percentagem de IVA a toda a frota. Numa frota mista, deduzir 100% em tudo ou 50% em tudo está errado nos dois sentidos.
- Não conferir litros com quilómetros. É a única forma de ver um cartão usado fora de serviço ou uma viatura com um problema mecânico que dispara o consumo.
- Pagar subcontratados pela fatura e não pelas viagens. Sem cruzar com as viagens atribuídas, uma viagem faturada duas vezes passa.
- Deixar as portagens refaturáveis por refaturar. Se o contrato prevê que o cliente paga as portagens e ninguém as liga ao serviço, ficam por conta da transportadora.
Por onde começar
Começa pelos extratos de combustível e portagens: são os documentos com mais linhas e com a matrícula já lá dentro. O circuito de leitura e lançamento no ERP está descrito em processamento automático de faturas de fornecedores. O diagnóstico de 7 dias é gratuito e mede quantas linhas por mês passam por mãos humanas; as bandas estão em preços. Quando faz parte do departamento financeiro completo, é a camada Flowzi Finance.
Recursos relacionados
- Centros de custo: aqui o centro de custo é a viatura e o serviço.
- Reconciliação bancária automática: os débitos dos cartões frota conferidos com os extratos.
- Faturas por loja no retalho: o mesmo problema de custo por unidade, noutro setor.
- Automação financeira: o serviço, por cima do ERP que já tens.
Perguntas frequentes
Como se liga uma fatura de combustível a uma viatura?
Pelo extrato do cartão frota, que traz a matrícula ou o número do cartão em cada abastecimento. O sistema lê o extrato linha a linha, atribui cada abastecimento à viatura e confere os litros com os quilómetros registados. A fatura mensal deixa de ser um número único e passa a ser o custo de cada camião.
E as portagens?
O extrato de portagens também traz a matrícula, a data e o percurso. Cruzado com as guias de transporte ou com as ordens de serviço, cada portagem fica associada ao serviço que a gerou. É o que permite saber se um serviço deu dinheiro depois das portagens.
O IVA do gasóleo é sempre dedutível a 100%?
Não. Segundo o artigo 21.º do Código do IVA, a dedução é de 100% em viaturas de mercadorias com peso superior a 3 500 kg e em alguns outros casos previstos, e de 50% no gasóleo da generalidade das restantes viaturas. Uma frota mista precisa de saber, abastecimento a abastecimento, em que viatura foi o gasóleo.
O que é o reembolso do gasóleo profissional?
É um reembolso parcial do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), não do IVA, para empresas de transporte de mercadorias por conta de outrem. Aplica-se a veículos com peso total igual ou superior a 35 toneladas, com abastecimentos feitos com cartão frota e dentro de limites anuais por veículo. As regras estão na Portaria 246-A/2016 e nas atualizações da Autoridade Tributária, que convém confirmar todos os anos.
Como se tratam os subcontratados?
A fatura do subcontratado é cruzada com o serviço que lhe foi atribuído e com o preço acordado. Se faturar mais viagens do que as registadas ou um preço diferente, fica retida com o motivo antes de seguir para pagamento.